link da pasta do meu flickr com todo o processo fotografado (ordenado cronologicamente) :https://www.flickr.com/photos/149606399@N04/sets/72157672503385627
FAZER-ME NOUTRO
Este (digamos) projeto deriva não só do Concurso Medeiros Cabral mas principalmente da minha vontade de explorar o "eu" e continuar o processo que acabava por tomar poder dos movimentos artisticos do século XX. Não porque me quero "colar" ao passado e não por ter um desejo de igualar os artistas da altura e não avançar com os meus próprios conceitos, mas porque sinto que esse é o conceito que, nesta altura da minha vida, me dá um esclarecimento de mim própria em termos de "ser". É também um conceito que me dá a maior curiosidade e inspiração. É overwhelming.
O "eu" era um tema que viria mais cedo ou mais tarde ao meu percurso artistico. Prefiro que seja mais cedo. Permite-me explorar o meu "eu" e o "eu" geral da sociedade em que me insiro (que é diferente da sociedade das vanguardas ou do modernismo, logo, a exploração do sujeito é, naturlamente, diferente.). A ideia de o individuo (5.
Organismo único pertencente a um grupo.) fascina-me. Não no sentido comum e, na minha opinião, francamente gasto e um bocado utópico, mas no sentido de um sujeito dentro de uma bolha (por exemplo) com as suas ideias e as suas próprias vivenças. Nenhum humano pensa as mesmas coisas da mesma forma, posso dizer isto com quase toda a certeza. O facto de todos pensarmos de modos diferentes é maravilhoso, no sentido mais objetivo, digo eu, porque permite-nos crescer opiniões e as nossas próprias perspetivas que por sua vez influênciam a forma como falamos uns com os outros, comunicamos. E com o termo "comunicar" quero incluir todo o tipo de expressão comunicativa (incluindo a expressão artistica, que acaba por ser a minha de eleição.).
Este conceito, do individuo, acaba por encaixar perfeitamente com o tema do concurso, por isso não tive de pensar muito para o materializar (antes disto tinha pequenas frases escritas no caderno, era um conceito que ficava pela palavra "individuo" na maior parte das vezes). Por isso decidi escrever a mensagem que estou a tentar divulgar, independentemente da obra que fizer. A imagem que apresento foi o resultado.
1. Antes de falarmos sobre o concurso a professora Alexandra pediu-nos três retratos onde aparecessem mãos pelo menos num deles. Trouxe as seguintes imagens:
Seguidamente tínhamos de "brincar" com as imagens de modo a que estivessem de algum modo conectadas ou ligadas, tendo em conta o tema, mais ou menos, do Concurso, A Arte fala da Vida. (Ou seja, podiamos fazer qualquer coisa). Comecei sem muitas ideias, tento sempre não seguir o instinto do fácil. Acaba por ser mais vantajoso se começar pelo mais complicado e de certa forma confuso e ir filtrando. Assim não tiro nada de cima da mesa antes de sequer pensar na capacidade da ideia. (Não tenho imagens dos desenhos iniciais mas não influenciaram a ideia que tive depois). Em vez de usar o desenho decidi usar a colagem. Da colagem descobri:
Senti-me bem. As imagens são pertubantes mas estão certas. O cerebro humano, acho (não sou nenhuma especialista), tem dificuldade a processar a imagem. Duas emoções são misturadas, e uma bloqueia a outra e, a meu ver, o tempo para. E é bonito. Depois de descobrir esta possibilidade em aula experimentei com as mesmas fotografias no photoshop:
A ideia ficou mais clara. Percebi que iria precisar de mais fotografias. (E as fotografias teriam de ser tiradas em aula.) Demorei algum tempo a fazer isso, entretanto experimentei, em casa, com uma meia na cabeça
Foi um pretexto para experimentar e percebi a flexibilidade alargada da minha ideia:
Acabei por tirar fotografias na camera escura da sala 16s. Havia um candeeiro com luz verde. Usei-o:
Cheguei à conclusão que ficariam melhores a preto e branco por uma questão de unidade e clareza visual. Um dos requisitos que ponho a mim mesma é a limpeza do trabalho para que a leitura seja rápida e fácil (porque já é complicado (acho) as pessoas lerem a expressão do retrato). Então fiz uma seleção e editei-as
Imprimi as imagens que necessitava e experimentei na aula:
Cheguei à conclusão que as imagens que iria utilizar seriam estas:
Aplicando as colagens aparecem deste modo:
Em atelier desenvolvi algumas experiencias com plasticina, pigmento e tinta acrilica que poderão vir a ser aplicadas ao produto final:
5.
Organismo único pertencente a um grupo.
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Organismo único pertencente a um grupo.