dezembro 11, 2015

Inês Almeida Peixoto, ...esperei por ti toda a noite..., | 2º Lugar

PRÉMIO MEDEIROS CABRAL | 4ª EDIÇÃO



O trabalho acima apresentado foi realizado com o intuito de concorrer ao prémio Medeiros Cabral cuja temática era a Luz uma vez que 2015 é considerado o ano da Luz. Assim, as obras deverão dar continuidade à ideia “por causa da luz…”.
Deste modo, comecei por pesquisar informação sobre a luz, afastando-me da conceção científica da mesma, de modo a focar-me em conceções filosóficas ou históricas. Devido à minha experiência com a disciplina de História de Arte, lembrei-me de conceitos como o Iluminismo e a conceção de Deus enquanto luz. No entanto, anteriormente havia decidido elaborar um trabalho com um caráter emocional, de modo que me lembrei de um trabalho do artista John Peña. Pensei que poderia explorar a nossa “dependência” da luz, estabelecendo-se um paralelismo entre essa mesma relação fictícia e as nossas relações do dia-a-dia, quer sejam amorosas, de parentesco entre outras. O sujeito em questão teria sido abandonado pela luz, mas eu continuaria a escrever cartas à mesma, às escuras (salientando o quanto sentimos a falta de alguém) que resultariam em cartas cujo aspeto (palavras foras das linhas) demonstram a dificuldade que temos em agir sem luminosidade. Após apresentar esta ideia, a professora Alexandra Baptista sugeriu-me usar o processo da escrita das cartas enquanto parte integrante do trabalho, através do vídeo, introduzindo um elemento que remetesse o espetador para a luz. Fi-lo ao introduzir flashes de luz constantes (lâmpada fluorescente avariada) que representam a esperança do sujeito em voltar a ver a luz (por exemplo, ao ouvirmos determinados sons pensamos em determinadas pessoas, levando-nos a acreditar que se encontram perto de nós). Deste modo, o meu trabalho resultaria na projeção do vídeo e a apresentação das cartas já finalizadas.
Para a concretização do meu trabalho necessitava de alguns recursos como uma câmara, um gravador de áudio
    
   
Assim, ao depararmo-nos com o meu trabalho podemos interpretá-lo de diferentes modos, quer seja dum modo mais literal tal como criando um paralelismo entre as pessoas que perdem a visão e têm de reaprender o seu dia-a-dia, quer como de um modo metafórico (tendo sido essa a minha intenção inicial) criando-se um paralelismo entre a dificuldade que temos em agir na ausência de luz tal como temos de “reaprender” a viver o nosso quotidiano após perdermos alguém.

Sem comentários :

Enviar um comentário