novembro 26, 2018

HOMÓNIMO | Manuel Paiva 12ºF | Projeto para o Concurso Medeiros Cabral

Foi-nos proposto pela professora que, a propósito da nossa participação na 7ª edição do concurso  Prémio Medeiros Cabral, trouxéssemos imagens, nas quais tínhamos que demonstrar diferentes emoções e expressões, tanto faciais como em iteração com as mãos. As imagens que escolhi foram as seguintes:
Sabendo que o tema do concurso é: "A Arte fala da Vida: da Identidade, dos Afetos e do Poder", este seria um bom ponto de partida, do qual podemos fazer quase tudo o que quiséssemos dado que acabava por se adequar ao tema (desde que, de alguma forma, incorporasse desenho, devido à sua integração e desenvolvimento nas aulas de Desenho).
De início comecei por fazer um desenho que juntasse várias das imagens que escolhi:


Ainda assim, decidi abortar completamente esta ideia, pois, apesar de conciliar bem com o tema (como qualquer coisa que poderia ter feito), achei a resolução um pouco simples e sinto que não demonstra totalmente a arte que pretendo mostrar ao mundo como futuro artista. Sou uma pessoa complicada e não gosto de ir pelo caminho mais simples. Gosto de desafios, pois puxam-me para além das minhas capacidades e obrigam-me a sair da minha zona de conforto.
Após várias aulas sem nenhuma ideia, surgiu-me espontaneamente...



Na disciplina de português, estávamos a estudar a poesia de Fernando Pessoa, cuja deixa-me verdadeiramente intrigado. Como é que é possível uma pessoa estar de tal forma dividida e conseguir criar personalidades (heterónimos) com vida e características completamente diferentes da própria pessoa que as criou? Que são o completo oposto umas das outras, mas que acabam todas por ser a mesma pessoa. Foi então que uma instalação que junta as imagens, através de máscaras, pelos olhos e boca, acabando num pimento não me saía da cabeça.


Obviamente, tal como em todos os projetos, a ideia inicial nunca acaba por ser a final. A instalação envés de ser exposta horizontalmente, é exposta verticalmente; Aquela ligação óbvia entre os olhos e boca já não existe; O forma das mascaras ia ser muito mais definida e com outro material, que através de experiência, vi que não iria resultar (o que quase me levou a mudar o trabalho completamente para outro rumo). Mas, como a nossa professora refere indeterminadas vezes: temos de saber tirar partido dos erros.
O esquema final é, dessa forma, o seguinte:


Através do plano, temos vários elementos que se destacam:
  1. Pimento - Apresenta-se no topo. É o cérebro (razão) do indivíduo, que controla tudo o que está ligado a ele. Decidi utilizar um pimento verdadeiro porque este vai apodrecendo com o tempo, e tal como o cérebro do homem, chega uma altura em que simplesmente não aguenta com tanta confusão. Para além disso, acho interessante o facto da minha peça, ter um elemento que nunca se mantém fixo e que pode levar a quase uma autodestruição dela (sem ela não há sentido).
  2. Faces- Todas diferentes, mas todas representam o mesmo. As diferentes personalidades que  o homem cria para agradar a um público exigente. Representam o poder, ou quase talento, que é tornar-se numa pessoa oposta para ser aceite. Utilizei pratos de plástico e depois com tinta acrílica desenhei diferentes caras minhas através de esboços de fotografias:
  3. Caixa- O verdadeiro indivíduo. Colocada no chão porque não tem necessidade de se apresentar tal como apresenta as outras faces ao público. Ainda assim é a mais crua e semelhante ao pimento (por cor), por ser a mais real, mas condicionada (por forma). É feita a partir de uma base para cortar vegetais, na qual desenhei gravando com um ferro de engomar, derretendo-a.

Finalmente, para concluir o trabalho, a sinopse que vou apresentar juntamente com o trabalho é:


HOMÓNIMO

Viver é ser outro.
Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu.
Bernardo Soares,
O Livro do Desassossego

A possibilidade do Homem conseguir criar (novas) personalidades para agradar a um público.

Todas essas personalidades estão interligadas, dado serem criadas pelo mesmo indivíduo, a um pimento (cérebro, sentido, razão), que apodrece. Isso remete ao facto do indivíduo, a um certo ponto, não conseguir esconder-se mais atrás das máscaras que construiu, revelando a sua verdadeira identidade, o que o destrói.

Identidade - personalidade que o indivíduo cria
Poder - o poder de conseguir criar outras personalidades
Afeto - a necessidade de ter afeto de outros, mas sentir necessidade de se disfarçar para os agradar

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