Pessoalmente, acho que este tema “A
arte fala da vida : da identidade, dos afetos e do poder” pode ser abordado de
variadas formas e pode dar aso a imensas ideias.
“O
principal problema na definição do que é arte é o facto de que esta definição
varia com o tempo e de acordo com as várias culturas humanas. Devemos, pois,
ter em mente que a própria definição de arte é uma construção cultural variável
e sem significado constante”.
O projeto no qual estou a trabalhar
será apresentado como uma instalação. Tenho como objetivo “expor” um
caleidoscópio feito por mim, e que, em vez de ter as comuns missangas terá
provavelmente a representação do meu próprio rosto que, posteriormente ao ser
visto através do objeto irá sofrer cortes, distorções e desfigurações, acontecimentos
estes que consigo interpretar e relacionar com o tema pelo facto da arte ter a
capacidade de representar várias identidades e personalidades e pelo facto de
existirem muitos fatores que influenciam como, neste caso, a visão e a
interpretação de cada um. Por isso acho que pelo facto de o meu rosto aparecer
desconstruído já simboliza a multiplicação
de uma identidade.
Em relação ao poder eu acho muito
interessante se conseguir utilizar a luz como elemento essencial e com um poder
infinito. Pensei então em deixar claro que para meu trabalho é obrigatório o
uso de luz (natural ou artificial) pois, tal como para a funcionalidade de um
caleidoscópio ser necessária a luz, é também imprescindível na criação de uma
personalidade e de uma identidade (a luz aqui pode ser símbolo de certa forma
do contexto em que cada individuo está). Quando a luz muda (quando a perspetiva
e a visão mudam) a identidade de uma coisa ou de uma pessoa automaticamente
também mudam.
Tive sempre como objetivo e desejo que
a minha instalação fosse feita para se “sentir”, ou seja, de forma a que todos
os órgãos dos sentidos pudessem ser utilizados e que cada pessoa pudesse, de
certa, forma ter a sua própria opinião e interpretação do trabalho e que cada
pessoa fosse necessária para a funcionalidade da minha instalação e pudesse
participar nessa minha opinião de desconstrução de identidade. Para isso vou
fazer com que as pessoas possam rodar e tocar no meu objeto (essencial para a
interpretação do trabalho), que possam olhar, espreitar e também que possam
ouvir.
Em relação ao som, vou sobrepor duas
gravações: uma do som que o caleidoscópio faz ao mexermos nele e outro de sons
que costumo produzir no dia a dia para que quando as pessoas oiçam, quase que
tenham a sensação de permiscuidade e relação com o interior do objeto que vai
muito além do exterior (tal como acontece com a identidade, afetos e poder pois
às vezes são muito mais ou muito menos quando os conhecemos ao pormenor e no
“interior”).
Estou a pensar em colocar o
caleidoscópio colocado numa espécie de tripé feita por mim com tubos de cartão,
para que o objeto fique acessível a todas as pessoas e que todos o possam
visualizar, tocar, ouvir e SENTIR.
Para que chame a atenção e para que seja fácil de perceber que se tem de mexer no objeto, no chão irá ser colada uma frase deste género “PARA, ESCUTA, VÊ E SENTE”, frase esta que posteriormente se poderá tornar no titulo da obra. Gostava ainda de “cercar” a minha instalação com uma espécie de fita para as pessoas tomarem atenção, como aquelas fitas que a policia mete em zonas de crime.
Em principio a instalação terá uma
dimensão de 150x150cm
















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